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quinta-feira, 29 de julho de 2010

Ler e escrever de mentira

Os pequenos fazem de conta que lêem e escrevem, mas não é hora de treinamento

Renan tem 4 anos e um interesse muito especial: gosta de desenhar as letras, quer identificá-las nas placas, faz de conta que está lendo. A mãe, Patrícia Monteiro Ito, observa-o e fica indecisa: "Às vezes, tenho dúvida se não é hora de ensinar mais um pouco. Até comecei a fazer uns exercícios diários, mas ele não quis mais e eu parei". Para os especialistas, a curiosidade de Renan é natural e deve ser estimulada. Mas não é aconselhável fazer treinamentos nem transformar o aprendizado na principal atividade da criança. A pedagoga Silvia Gasparian Colello, professora da USP, entende a dúvida de Patrícia. "Nos últimos 20 anos, mudou tudo em relação à alfabetização. Os pais às vezes temem antecipar fases, mas a verdade é que se aprende a ler desde sempre", diz. A psicóloga Cláudia Tricate, diretora pedagógica da Escola Mágico de Oz, em São Paulo, confirma: "Antes, imaginava-se que as crianças entravam na escola cruas e saíam letradas. Não é assim. Desde pequeninas elas vão formando uma bagagem, construindo suas hipóteses sobre a leitura e a escrita". Por volta dos 3 anos, começam a perceber a função das letras e já distinguem desenho e escrita. "Elas descobrem que escrever ‘gato’ é diferente de desenhar um gato", explica Silvia.

Função social
A atribuição dos pais é criar um ambiente que valorize e facilite o contato com a leitura e a escrita, sempre. A criança deve perceber que a escrita tem uma função social: além de registrar histórias, serve para fazer a lista do supermercado, deixar bilhetes e mandar mensagens pelo computador, compor as notícias dos jornais e das revistas, dar informações em placas, etc. O ambiente favorável é criado com muita leitura por parte dos pais, livros acessíveis e material de escrita à disposição da criança. O que
não pode é começar a ensinar metodicamente. "A criança constrói suas hipóteses e vai derrubando as que não servem. Isso é construtivismo. Os pais precisam se segurar e não derrubar as hipóteses por ela, mostrando o jeito certo. Isso desestimula e faz com que ela adote a fórmula que já está aprovada. Aí, sim, ela queima etapas", diz Cláudia. Portanto, nada de correções e exercícios, como dirigir a mão da criança. E não se deve comparar desempenhos. "Cada um tem seu tempo e no fim todo mundo chega lá. Começar a ler mais cedo não significa ser um bom leitor mais tarde. Sobre crianças, nada é definitivo", lembra a psicóloga.

Sem medo
Assim como alguns pais receiam ensinar pouco à criança, outros evitam até conversas e atividades envolvendo a leitura, por medo de estar estimulando um aprendizado precoce. Se não é aconselhável fazer correções e estimular cópias, também é importante não se omitir. "Obrigação de pai e mãe é dar respostas. Se a criança perguntou, responda", orienta a pedagoga Silvia Colello. Cláudia Tricate lembra que a evolução da própria criança não pode ser ignorada. A leitura de histórias, por exemplo, deve acontecer desde o berço. "Mas, agora, já deve ser feita com o texto visível também pela criança, pois ela vai começar a perguntar onde está escrito isso ou aquilo e vai mostrar as letras que já conhece. Isso é ótimo", diz Cláudia.

Disponível em: http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI16199-15134,00.html
 

 

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